

Em Fevereiro, Pacheco Pereira escrevia na revista Sábado que Obama era um “produto da fábrica de plástico”, “politicamente correcto na cor, nem muito preto, nem muito branco”. Admito que, para padrões portugueses e brasileiros, Obama seja considerado mulato. No entanto, para padrões norte-americanos, Obama é negro. Se Obama tem a cor certa, é difícil entender como conseguiram os anteriores 43 presidentes ser eleitos com a cor errada. Na realidade, Barack Hussein Obama não só tinha a cor errada como também tinha o nome errado. Negar isto é desconhecer a realidade. Nos Estados Unidos, a probabilidade de um negro estar preso é oito vezes maior do que a de um branco, a probabilidade de estar desempregado é o dobro e os que estão empregados ganham salários muito mais baixos. Claro que podemos e devemos perguntar se o racismo explica tudo ou se também devemos apontar o dedo à população negra.
Em 2004, Marianne Bertrand e Sendhil Mullainathan levantaram um pouco o véu sobre esta questão, conduzindo uma experiência de campo. Marianne e Sendhil enviaram mais de 5000 currículos vitae falsos como resposta a 1300 anúncios de emprego. A alguns currículos deram nomes tipicamente “brancos”, como Emily e Greg, enquanto os outros ficavam com nomes tipicamente “negros”, como Jamal ou Lakisha. Sem surpresa, concluíram que um candidato negro com exactamente as mesmas qualificações profissionais e académicas que um branco tem muito mais dificuldades em encontrar emprego. Verificaram também que quanto mais qualificada a profissão a concurso maior a discriminação.
Os professores Roland Fryer, Jacob Goeree e Charles Holt levaram a cabo um jogo que ilustra as causas e consequências de tais injustiças. Repartiram os alunos entre empregadores, trabalhadores verdes e trabalhadores roxos. Cada trabalhador começa cada round com um nível de educação zero e tem a opção de comprar, ou não, educação. Os custos dessa compra variam de trabalhador para trabalhador e de forma aleatória. De seguida, cada trabalhador faz rolar dois dados de seis faces. Com base nos dados, é-lhe atribuída uma classificação. Quem tiver adquirido educação tem 25% de hipóteses de ter nota alta, 50% de ter nota intermédia e 25% de ter nota baixa. Para quem não investiu, as probabilidades são de 3, 28 e 69%, respectivamente. Finalmente, o empregador decide se contrata o trabalhador ou não. No entanto, apenas observa duas variáveis: a cor do trabalhador e o resultado do teste. O empregador ganha dinheiro se contratar alguém com educação e perde se contratar alguém sem educação. O procedimento é repetido 20 vezes. A única constante ao longo dos 20 rounds é a cor de cada trabalhador.
Numa dessas experiências, por mero acaso, os custos do investimento em educação foram maiores para os trabalhadores roxos nos três primeiros rounds. Esses custos acrescidos induziram estes trabalhadores a investir menos. A partir do quarto round, os empregadores deixaram de contratar trabalhadores roxos, enquanto os trabalhadores verdes eram quase sempre contratados. De nada servia aos roxos investirem em educação. Eram pura e simplesmente rejeitados. No fim do jogo, os ânimos estavam exaltados. Os roxos queixavam-se de discriminação. Os empregadores acusavam os trabalhadores roxos de serem de pouca confiança e de não investirem em educação. Um dos roxos retorquiu que deixou de gastar dinheiro a adquiri-la, porque raramente era contratado.
Ou seja, num ambiente absolutamente controlado, em que verdes e roxos partiram em igualdade e em que no início de cada round todos voltavam a estar nas mesmas circunstâncias, rapidamente se criou uma sociedade segregacionista com trabalhadores verdes educados e a trabalhar e com trabalhadores roxos, sem instrução, revoltados e desempregados.
Se isto acontece neste ambiente, imagine-se a realidade, com condições desiguais causadas por séculos de História de discriminação racial. É um ciclo vicioso da baixa instrução, baixos salários, elevado desemprego e alta criminalidade. A vitória de Barack Obama é notável e é uma estultícia desvalorizá-la. Felizmente que os americanos perceberam isso e não desperdiçaram a oportunidade de fazer História, dando um passo para uma América pós-racial.
sábado, 15 de novembro de 2008
Uma Lança na América, Luís Aguiar-Conraria, Público, Sexta, 14 de Novembro de 2008
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Secção: Notícias, PROFESSOR AGUIAR-CONRARIA
sábado, 8 de novembro de 2008
APE: Grande Prémio de Literatura Biográfica para o livro "Diário Quase Completo", de João Bigotte Chorão.
O Grande Prémio de Literatura Biográfica da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e da Câmara Municipal de Castelo Branco foi atribuído ao livro "Diário Quase Completo", de João Bigotte Chorão, anunciou hoje a APE em comunicado.
A decisão de distinguir esta obra, publicada pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda, foi tomada por maioria de um júri presidido por José Correia Tavares (vice-presidente da APE) e constituído pelo professor universitário Artur Anselmo, a vice-reitora da Universidade de Coimbra, Cristina Robalo Cordeiro, e professora e ensaísta Clara Rocha (que votou na obra "Raul Proença - Vols. I e II", de António Reis).
No valor de 5.000 euros e patrocinado pela Câmara de Castelo Branco, o prémio, que se pretende bienal, abrangeu excepcionalmente um período mais alargado, entre 2000 e 2007, e admitiu a concurso 85 obras de escritores portugueses, nas áreas da biografia e autobiografia, memórias e diários.
Nas quatro anteriores edições, o Grande Prémio de Literatura Biográfica da APE foi atribuído a obras de Maria Teresa Saavedra, Eduardo Prado Coelho, Norberto Cunha e Cristóvão de Aguiar.
ANC.
Lusa/fim
João Bigotte Chorão:
Data de Nascimento: 18 de Outubro de 1933
Naturalidade: São Vicente (Guarda), Portugal
Alguns dados biográficos
João Bigotte Chorão, tido como um "especialista" de Camilo (a quem consagrou muitos escritos), na sua crítica e no seu ensaísmo - definidos já como "humanistas" - privilegia valores estéticos, não desligados porém de valores éticos. O seu Diário, pela contenção verbal e tensão interior, tem sido aproximado do de Miguel Torga, de quem, aliás, se confessa devedor.
Artigos, crónicas e ensaios seus estão, muitos deles, dispersos por jornais e revistas.
Colaborou com numerosos artigos em enciclopédias e dicionários de literatura e evocou autores vários em livros in memoriam.
Escreveu prefácios ou posfácios para obras de Leopardi, Garrett, Camilo, Eça, Trindade Coelho, João de Araújo Correia, Fernanda de Castro, Francisco Costa, Tomaz de Figueiredo, Domingos Monteiro, João Mendes, Couto Viana, Fernando de Paços, Júlio Pomar e Camilo de Araújo Correia.
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domingo, 2 de novembro de 2008
13.ª Festa do Livro Coimbra. Outra iniciativa de Adelino Castro e a Calendário das Letras.


Preços em baixa
deixam livro em alta
Há de tudo um pouco. Obras que venderam muitos exemplares, outras que ficaram aquém das expectativas. Livros que foram muito procurados e folheados, outros que se amontoaram nos escaparates sem convencer quem passou pelas livrarias. Agora, estão todos reunidos, desde ontem e durante os 30 dias de Novembro, nas bancas montadas na tenda instalada na Praça da República. Lá podem encontrar-se livros infantis, mas também especializados. Há romances, policiais, biografias e muito mais.
Os preços são bastante convidativos. Com 75 cêntimos já se pode levar um livro para casa, mas há edições – «obras especiais, álbuns e livros mais recentes que têm alguma promoção» - que ultrapassam os 10 euros. A Festa do Livro de Coimbra, que já vai na 13.a edição, foi ontem inaugurada. Recorde-se que esta iniciativa se realizou, pela primeira vez, em 1995, nas instalações do ITAP (Instituto Técnico Artístico e Profissional) de Coimbra, mas também já teve lugar na Casa Municipal da Cultura e no Edifício Chiado, antes de se fixar na Praça da República.
Organizado pela empresa Calendário de Letras, o certame apresenta, este ano, uma novidade. Em virtude de se terem registado fenómenos de concentração editorial, que levaram ao desaparecimento de muitas pequenas e médias editoras, integradas em grandes grupos, a Festa do Livro de Coimbra exibe mais de 100 mil livros. Muitos destes - descatalogados, em fim de edição ou mesmo em saldo - deixaram de ter espaço disponível nas livrarias tradicionais e nas grandes superfícies livreiras.
Aberta todos os dias, entre as 10h00 e as 20h00, a Festa do Livro pretende, segundo Manuela Castro, da empresa organizadora, continuar a ter «enorme sucesso». «Neste espaço, o livro está em festa, com preços baixos, alguns de saldo mesmo e com promoções», acrescentou, antes de reforçar que «as pessoas encontram aqui o que já não encontram nas livrarias», pois, reafirmou, «ao que se edita, neste momento, em Portugal não há espaço compatível para manter, por muito tempo, estes livros e estas novidades nas livrarias».
Assegurando que os visitantes vão encontrar livros que «nem tiveram a oportunidade de conhecer e ver nos escaparates», Manuela Castro assegurou existirem «livros para todos os preços e bolsas». «Já que existe a crise, estes espaços têm, cada vez mais, razão de ter êxito», assumiu, antes de revelar: «Penso que os preços são discutíveis. O livro, por vezes, é muito barato quando comparado com outras coisas». A perspectiva para a edição 2008 é «positiva».
«Coimbra foi a primeira cidade portuguesa a organizar este tipo de espaço de livros, que, hoje, muita gente faz», disse Manuela Castro, afirmando que é «uma possibilidade de estudantes e jovens chegarem aqui e conseguirem literaturas por baixo preço». Por fim, a organizadora do evento revelou que, «cada vez mais, temos razão em fazer estas iniciativas, porque as pessoas vão ficar com livros que, de outra maneira, ao fim de dois anos, os editores tinham nos armazéns e faziam desaparecer».
João Henriques/ Diário de Coimbra 02-11-2008
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domingo, 26 de outubro de 2008
A melhor da semana...
- A senhora aceita um uisque?
- Não posso. Faz-me mal às pernas...
- As suas pernas incham?
- Não. Abrem-se...
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Secção: Anedotas
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
A Tabuada do Tempo, de Cristóvão de Aguiar. Crítica de Cláudia Gameiro.
O primeiro olhar foi de desafio, quase de inveja pelas palavras ditas quase em sintonia com uma música de fundo, nunca presente mas sempre desperta. Depois veio a viagem, veio a lembrança, veio a presença por se estar a pisar os mesmos terrenos, as mesmas angústias. Ser-se ilha não é ser-se pequeno, é um estado de espírito que acompanha quem amou a terra onde nasceu e aprendeu a ser-se, a ver-se, diante de uma paisagem. Nos dias que se percorrem, saborando quase sempre a instabilidade do tempo, encarna-se uma audacidade também ela temperamental e procura-se um objectivo nas palavras do quotidiano.
Para ler com uma grande vontade de saborear, nunca de entreter...
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Secção: A Tabuada do Tempo, críticas literárias
sábado, 11 de outubro de 2008
COIMBRA 2008
ALGUNS FACTOS:
1- "Stand", depósito ilegal de automóveis legalmente inexistente. ABERTO AO PÚBLICO.
2- Instalado em "terreno para construção" Caído do céu (inscrição originária- não proveniente de qualquer artigo) depois de uma expropriação por utilidade pública?
3- Ausência de qualquer licenciamento, quer de edificação, quer de actividade comercial.
4- Cabovisão instalada e licenciada, no interior deste "terreno", nestas circunstâncias pela, Câmara Municipal de Coimbra.
5-Desvio clandestino de águas pluviais provenientes o IC2, directamente para a parede de um posto de transformação de electricidade, em zona de cheia,com manilhamento, sobreposição de terras e asfalto.
6-Não foi instaurado qualquer processo de contra-ordenação aos infractores.
7- Edificação implantada em zona de estrada, quer a nascente - IC2, quer a poente - Câmara Municipal de Coimbra.
8- Elevação do solo em 1,5m e sua total impermeabilização com asfalto em zona de cheia.
9- Remoção de terras, terraplanagem e depósito de entulhos no talude de segurança do IC2.
10- Tudo isto foi e é possível numa zona movimentadíssima da cidade de Coimbra - Estação Velha / Coimbra-B.
11- Atentado ambiental, urbanístico, à segurança, à lei em vigor, aos cidadãos lesados, à cidade e aos munícipes em geral.
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
CORRUPÇÃO: A IMPRENSA LIVRE É CENTRAL NO COMBATE. Por Aguiar-Conraria in Público, 10-10-2008

Apenas me dei conta da extensão do problema quando soube que Roberto Dell’Anno tem trabalhos publicados sobre o nosso país. Quanto até um professor de uma universidade do sul de Itália se aplica a investigar a corrupção em Portugal, podemos estar certos de que o problema atingiu dimensões consideráveis. As consequências da corrupção generalizada são conhecidas: é socialmente injusta, reduz a produtividade do sector público e cria distorções na economia privada, levando a más afectações de recursos e reduções no investimento. Tudo se traduz num crescimento económico mais baixo. Os efeitos são tão graves que o Banco Mundial declarou a corrupção como o maior obstáculo ao desenvolvimento económico e social.
Sabe-se quais os ambientes por onde os corruptos se movimentam. Em primeiro lugar, para haver subornos é necessário que haja agentes do Estado com poderes discricionários. Ou seja, alguém tem o poder de tomar decisões que influenciam a vida das pessoas e empresas. Em segundo, essas decisões têm de ter um valor económico, caso contrário não valia a pena pagar subornos. Finalmente, os corruptos gostam de instituições políticas, administrativas e judiciais fracas. As nossas leis e instituições são terreno fértil para a corrupção, parecendo ter sido criadas com esse propósito. Basta pensar nos investimentos avultadíssimos que ficam à espera de uma decisão administrativa para os desbloquear. Com administrações politicamente comprometidas, com uma polícia que não investiga e com tribunais que não funcionam um cidadão fica desprotegido. Paolo Mauro, num artigo do FMI, alerta para o perigo de se cair num equilíbrio armadilhado em que todos ficariam melhor se se acabasse com a corrupção, mas em que ninguém, individualmente, lhe pode fazer frente. Para sair desta armadilha, Aymo Brunetti e Beatrice Weder, prestigiados economistas suíços, elegem a imprensa livre como elemento central no combate à corrupção. Com uma imprensa descomprometida e competitiva, quanto mais generalizada a corrupção, maior o incentivo de um jornalista para investigar e denunciar.
Infelizmente, em Portugal, o quarto poder não conta. Incrédulo, tenho assistido à saga do meu irmão José Manuel de Aguiar, advogado de Coimbra, que, usando as suas prerrogativas de munícipe empenhado, tem vindo a denunciar situações de óbvia ilegalidade e de corrupção na sua cidade. No seu blogue, “Podium Scriptae”, e depois de apresentar queixa no ministério público, apresenta documentos, fotografias, indícios de falsificação de documentos oficiais. Enfim, um sem número de indícios óbvios de corrupção espera que as autoridades ou algum dos jornais locais, como o “Diário de Coimbra” ou o jornal “As Beiras”, pegue no assunto e investigue. No entanto, uma noite de silêncio abateu-se sobre as suas denúncias. Imagino que o mesmo se passe em outras cidades do país.
Há duas semanas apercebi-me da extensão do problema quando li que o director do jornal Público foi ameaçado pelo Primeiro-Ministro antes de denunciar as peculiaridades que envolviam a licenciatura de José Sócrates. Disse o chefe de governo: “Fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera.” Esta ameaça é temível porque, obviamente, as decisões de um governo valem fortunas e não há empresa que lhes possa escapar. Sabemos agora que os mais altos responsáveis políticos pressionam os media de formas indignas de um regime democrático. Se nada acontece quando o primeiro-ministro ameaça o director de um jornal, o que não se passará por esse país fora? Também ficámos a saber que na Câmara de Lisboa comprava cumplicidades oferecendo casas a artistas e jornalistas. Entre os envolvidos, encontramos o filho de um ex-Presidente da República, um ex-ministro, um ex-Primeiro-Ministro e um ex-Presidente da República. Naturalmente que, com jornalistas cúmplices, dificilmente há jornalismo de investigação. É pena, o país agradecia.
Corrupção
Luís Aguiar-Conraria
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Secção: CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA URBANISMO, COIMBRA, HISTÓRIA DE PORTUGAL, Notícias, PROFESSOR AGUIAR-CONRARIA
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
INUNDAÇÃO POSTERIOR ÀS QUEIXAS.
Para conhecer em pormenor veja-se a secção Câmara Municipal de Coimbra Urbanismo, das mensagens antigas para as mais recentes estão numeradas.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
INCRÍVEL:Câmara Municipal de Coimbra mantém, impunemente, sucateira-ILEGAL aberta ao público a dias do prazo para demolição e reposição do terreno.
INSÓLITO/ ILEGAL/ INCRÍVEL
Legenda: Documento falsificado, enviado ao MP de Coimbra para encobrir o licenciamento ilegal da cabovisão por parte da Câmara Municipal (CRIMINAL) de Coimbra.Onde está escrito PT é, de facto, EDP. As águas pluviais do IC2 vazam directamente para a parede DE UM POSTO DE ELECTRICIDADE DE ALTA TENSÃO PONDO EM PERIGO A SEGURANÇA PÚBLICA.Onde se diz TV CABO DEVE LER-SE CABOVISÃO.POR OUTRO LADO, o Ministério Público de COIMBRA ACEITOU ESTE DOCUMENTO FALSIFICADO E AFIRMOU QUE O DENUNCIANTE É QUE NÃO TINHA CREDIBILIDADE...
Legenda: Fotografias do prédio contíguo ao stand/sucateira, que demonstram inequivocamente que a sucateira-ilegal foi edificada depois do prédio e em zona de estrada...
Fiscalização da Câmara Municipal de Coimbra continua a pactuar, impunemente, com prevaricadores em prejuízo da comunidade, da Lei e do interesse público.
A CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA ESTÁ CONCOMUNADA COM A CABOVISÃO, O STAND ILEGAL e AS ESTRADAS DE PORTUGAL.
O ESTABELECIMENTO COMERCIAL ILEGAL PERMANECE, ALEGRE E IMPUNEMENTE, ABERTO AO PÚBLICO SEM QUALQUER RESTRIÇÃO IMPOSTA PELA CÂMARA, SENDO QUE ESTA TAMBÉM É RESPONSÁVEL POR TAMANHA ILEGALIDADE, POIS NÃO SÓ NÃO IMPEDIU A SUA CONSTRUÇÃO, COMO ERA SEU DEVER, COMO AGORA SUSTENTA INDEVIDAMENTE A MANUTENÇÃO DE TAMANHA ILEGALIDADE, SEM TER INSTAURADO, SEQUER, QUALQUER CONTRA-ORDENAÇÃO, NÃO OBSTANTE TER CONHECIMENTO FORMAL DESTES FACTOS HÁ MAIS DE 2 ANOS. COM O AGRAVANTE DE SER A ÚNICA ENTIDADE COM PODER DE FISCALIZAÇÃO NAQUELA ÁREA TERRITORIAL. NUMA AFRONTA E DESRESPEITO TOTAL PELOS MUNÍCIPES EM GERAL E PRINCIPALMENTE PELA COMUNIDADE RESIDENTE NA ÁREA ENVOLVENTE, UMA VEZ QUE PÕE EM PERIGO O EDIFÍCIO CONTÍGUO, ZONA DE CHEIA, É UMA ABERRAÇÃO ARQUITECTÓNICA, SEM QUALQUER ENQUADRAMENTO LEGAL. OS MORADORES DOS PRÉDIOS CONTÍGUOS ESTÃO PRIVADOS, TAMBÉM, POR VIA DESSA CONSTRUÇÃO ILEGAL DO PASSEIO PEDONAL E DE QUAISQUER OBRAS DE URBANIZAÇÃO QUE ENQUADREM AQUELA CONSTRUÇÃO ILEGAL, ESTANDO EM CAUSA A SUA SEGURANÇA!
A EVENTUAL E PRESUMIDA BOA-FÉ, DA CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA, É SERIAMENTE QUESTIONÁVEL, UMA VEZ QUE JÁ TENDO VIOLADO, DE FORMA GROSSEIRA, O SEU DEVER DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA, NÃO IMPEDINDO TAL CONSTRUÇÃO, TANTO MAIS NUMA ARTÉRIA ONDE PASSAM MAIS CEM VEÍCULOS MUNICIPAIS POR DIA. AGORA, PROTELA O CUMPRIMENTO DA LEI QUE VISA SALVAGUARDAR O INTERESSE GERAL DA COMUNIDADE, EM DETRIMENTO, SABE-SE LÁ, DE QUE OBSCUROS CONLUIOS E SUSPEITOS ILEGÍTIMOS INTERESSES ECONÓMICOS PARTICULARES...
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Secção: CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA URBANISMO, ILEGALIDADES, JUSTIÇA
sábado, 27 de setembro de 2008
Ex-combatentes escritores participam em ciclo de conferências, de 25 de Setembro a 20 de Novembro de 2008.

A guerra colonial estará em debate num ciclo de oito conferências a realizar entre Setembro e Novembro na Biblioteca-Museu República e Resistência e no qual participarão antigos combatentes que sobre o conflito nas ex-colónias portuguesas escreveram.
As conferências realizam-se à quinta-feira, sempre às 19:00 locais, a partir do dia 25 de Setembro, prolongando-se até 20 de Novembro.
"Organizamos exposições e ciclos diversos, de ordem histórica, e a guerra colonial surge, naturalmente, como um tema. A nossa ideia é manter viva a chama da História", disse à Lusa Júlia Pires, da direcção da Biblioteca-Museu.
O ciclo abre com Nuno Roque da Silveira e prossegue com António Graça de Abreu (2 de Outubro), António Brito (9 de Outubro), Leonel Pedro Cabrita (18 de Outubro), Mário Beja Santos (23 de Outubro), Cristóvão de Aguiar (30 de Outubro), João Gualberto Estrela (dia 13 de Novembro) e António Bracinha Vieira (dia 20 de Novembro).
"Nós, portugueses, cuidamos menos de reavivar a memória da guerra do que os norte-americanos [em relação ao Vietname]", observou a responsável, reconhecendo embora estar a registar-se um crescendo de interesse dos editores pela publicação de obras sobre o conflito.
Os escritores ex-combatentes participantes no ciclo são autores de "Um outro lado da guerra" (Nuno Roque da Silveira), "Diário da Guiné. Lama, sangue e água pura" (António Graça de Abreu), "Olhos de caçador" (António Brito), "Capitães de vento" (Leonel Pedro Cabrita), "Diário da Guiné, 1968-69. Na terra dos Soncó" (Mário Beja Santos), "Braço tatuado-Retalhos da guerra colonial" (Cristóvão de Aguiar), "Perigo e fascínio em África, Angola 1962-64" (João Gualberto Estrela) e "Fim de Império" (António Bracinha Vieira)
A guerra colonial travou-se em três frentes - Angola, Moçambique e Guiné-Bissau - e fez cerca de 10.000 mortos nas fileiras portuguesas.
LUSA.
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Secção: Braço Tatuado., Cultura, curiosidades, GUINÉ, Notícias
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
"Tabuada do Tempo": Expresso das Nove online 26/09/2008, por Bartolomeu Dutra.



"Ainda estou cheio de Ilha, como poderia dizer o Cristóvão de Aguiar, que não vi no Pico, mas encontrei-o n' A Tabuada do Tempo das pequenas coisas que nos enchem a vida, do Amor que nos aquece por dentro."
BARTOLOMEU DUTRA
PROFESSOR/MÚSICO (excelente)
Uma voz que veio de longe
Aceitei o convite do Vítor Rui Dores, em carta impressa na última página d'O Dever, e cá me encontro balouçando por dentro destes três tempos de valsa. Talvez me tenha antecipado na lembrança quando, no mês passado, olhando o Pico na transparência de um gin no Peter, tentava indicar à Guilhermina o local onde Brel tocara a sua guitarra. O prazer de recordar algumas histórias vividas pelo grande trovador no Faial, fez correr o tempo até à chegada do avião que me traria de volta ao continente. Dias antes, o meu irmão Jorge levara-me num magnífico passeio até ao Cabeço Verde e depois ao Cabeço Gordo, alargando-me o fascínio da ilha na contemplação dos recortes agrestes da Caldeira desde um ponto mais elevado. De volta ao Pico, pude rever a antiga Fábrica da Baleia, já sem aqueles homens de espeiro nas mãos a cortar os pedaços de toucinho. Mas a chaminé ainda era a mesma que tinha conversas de vizinha com a da Fábrica do Antunes, enquanto o batelão, com o meu irmão Manuel ao pé da máquina, trazia o peixe das traineiras que ao largo se espreguiçavam num balanço tranquilo para os meus olhos à espreita desde o alto de uma parede nos Biscoitos. Ainda estou cheio de Ilha, como poderia dizer o Cristóvão de Aguiar, que não vi no Pico, mas encontrei-o n' A Tabuada do Tempo das pequenas coisas que nos enchem a vida, do Amor que nos aquece por dentro e da viagem perene com a Ilha no peito, um pesqueiro andante em busca de aventuras. No decorrer desta lenta narrativa dos dias, que recebeu o prémio Miguel Torga, pode ler-se a dada altura, no contexto de uma viagem com esmero preparada para um grupo de amigos da vivência coimbrã:
"São Miguel, Agosto, 12
Chegámos há três dias e já demos grandes passeios por toda a Ilha. Ao planear esta excursão, principiei deliberadamente pelo grupo central para que, ao chegarmos aqui, houvesse apoteose, espécie de grand final. Enganei-me e bem! Toda a gente abria a boca, maravilhada, com as paisagens das Sete Cidades, da Lagoa do Fogo, das Furnas, da Caldeira Velha, mas no fim exclamava: tudo muito belo, mas o Pico... Às tantas, também eu fazia coro: mas o Pico..."
26 de Setembro de 2008
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Secção: A Tabuada do Tempo, AÇORES, COIMBRA, Cultura, ILHA DO PICO, Notícias
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
O Escritor Dias de Melo in "Relação de Bordo, diário ou nem tanto ou talvez muito mais" (1964-1988), de Cristóvão de Aguiar.


"Coimbra, 24 de Maio de 1979
[...]O escritor Dias de Melo, homem açoriano da Ilha do Pico, que trouxe para o conto, o romance, a crónica, a luta desatinada dos homens das Ilhas que formam o triângulo: Pico, São Jorge e Faial, dando dignidade humana ao homem que vai ganhando a vida e sempre a morte tanto no mar como em terra, ou em ambos, baleeiros e camponeses e outra gente sem condição, e que renegou sempre nos seus livros o turístico folclore literário -- esse escritor confessou-me na sua gigantesca humildade, numa carta sobre Raiz Comovida I: "Continuo sem encontrar palavras que lhe digam quanto Raiz Comovida me emocionou. Bastará talvez que saiba isto: o Ti Pascoal, impondo ao narrador o dever -- o compromisso -- de contar ao mundo aquelas realidades, teve influência enorme no prefácio, a que chamo "Compromisso", com que abro o meu livro Vinde e Vede [...] Mas, Cristóvão de Aguiar, Você foi mais longe do que eu. Você quebrou todas as amarras que ainda me prendiam. Regozijo-me -- sinceramente, muito sinceramente me regozijo por isso!" A Ilha do Pico, no seu mistério tamanho, ora se revelando escondendo ora se escondendo revelando-se, também tem o condão de fermentar e extravasar do peito de quem possui a estrela de a merecer instituída em seus olhos."
In Relação de Bordo (1964-1988),de Cristóvão de Aguiar, páginas 225 e 226.
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Secção: AÇORES, Cultura, DIAS de MELO, ILHA DO PICO, Relação de Bordo I
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Faleceu hoje um Grande Escritor Açoriano: Dias de Melo. "Ficará para a posteridade como um símbolo do homem do mar" - Cristóvão de Aguiar.
Quarta-feira, 24 de Set de 2008
O escritor Dias de Melo, hoje falecido, aos 83 anos, "ficará para a posteridade como um símbolo do homem do mar", disse à Lusa o escritor e seu conterrâneo Cristóvão de Aguiar.
"É um escritor baleeiro que deu um retrato real da vida do baleeiro. Aliás, ele próprio tinha essa experiência, chegou a ser baleeiro", lembrou.
Na sua opinião, a obra literária de Dias de Melo "ficará como documento para a posteridade".
Falecido hoje de manhã no hospital de Ponta Delgada, José Dias de Melo nasceu na Calheta do Nesquim, ilha do Pico, a 08 de Abril de 1925.
Professor primário, foi colaborador assíduo da imprensa regional e nacional e um profundo conhecedor da temática baleeira e da emigração.
Iniciou a sua carreira literária na década de 1950 com o livro de poemas "Toadas do Mar e da Terra".
Da sua obra, Cristóvão de Aguiar destacou a trilogia "Pedras Negras", "Mar Rubro" e Mar P'la Proa" e o livro de contos "Milhas contadas".
"Dias de Melo marca, sem dúvida, a literatura portuguesa de significação açoriana", obervou.
Dias de Melo foi condecorado com a Ordem do Infante e, pelas Lajes do Pico, com o título de Cidadão Honorário do concelho.
Recentemente, o presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, presidiu a uma sessão pública de homenagem a Dias de Melo que incluiu o lançamento de uma nova edição da sua trilogia.
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Secção: AÇORES, Cultura, DIAS de MELO, HISTÓRIA DE PORTUGAL, ILHA DO PICO
sábado, 20 de setembro de 2008
Entrevista de Mestre Eugénio Macedo, artista multifacetado e autor do "ferro" Soito (S8), ao Semanário Nova Guarda. Edição de 10-09-2008



Escultor reside actualmente
em Figueira de Castelo Rodrigo
Eugénio Macedo tem milhares de obras espalhadas pelo País.
Eugénio Macedo, escultor, passa a vida entre Portugal e o Brasil, mas no nosso País, escolheu o Sabugal e Figueira de Castelo Rodrigo como locais centrais na sua vida.
No primeiro, o Soito foi ponto de paragem por uma avaria no carro, que o deixou nesta terra durante alguns anos. Agora a residir em Figueira, justifica-se dizendo que ali encontra tudo o que precisa para a sua profissão.
Nova Guarda (NG) – Quem é o Eugénio Macedo?
Eugénio Macedo (EM) – Um amigo meu disse-me que eu sou uma pessoa complicadíssima. José Manuel, filho de Cristóvão de Aguiar me disse que eu sou uma daquelas pessoas muito complicadas. Não sei quem é o Eugénio.
NG – É uma pessoa que vive a arte?
EM – A arte para mim é o quê? Eu sou formado em publicidade e vim para Portugal para trabalhar para a TVI, como câmara e cenógrafo, mas desisti da ideia. Já passei por vários processos. A arte para mim é um acidente de percurso. Não me considero um artista.
NG – Onde é que nasceu?
EM – Outra pergunta complicada. A minha certidão de nascimento diz que foi em Angola., mas não. O meu pai era um dos indivíduos que fazia parte do Partido Comunista e ele foi dado como arquivo morto. Boa parte dos documentos desapareceram. A minha certidão de nascimento diz que é Angola, mas eu nem sei onde é que é Angola. Sei que é um país na África. Eu sou português.
NG – Como é que se classifica enquanto escultor?
EM – Sempre como uma pessoa criativa. Como me formei em publicidade e design, depois desenvolvi então a fotografia, no Rio de Janeiro, na Associação Carioca de Artes Plásticas, onde fiz alguns trabalhos lá.
Eu vim fazer umas férias em direcção a Espanha, o meu carro avariou-se ali no Soito, numa época de festas. Não havia mecânicos para concertar o carro e fiquei por lá. Olhei para muitos lados e só via pedra, e escolhi a pedra. Foi quando fiz aquele touro que está em frente à Praça, no Soito. Mas foi um percurso acidental, não foi nada premeditado.
NG – Foi ai que começou?
EM – Foi, foi assim que me pegaram. Eu não peguei a arte, a arte é que me pegou. Eu não considero aquilo que eu faço uma arte, considero uma capacidade extra.
NG – Há quanto tempo é escultor?
EM – Desde os 14 anos.
NG – E ainda se lembra da primeira peça?
EM – Lembro. Foi um Cristo feito em cimento. Aquilo não foi propriamente uma peça. Foi um ensaio. Daí descobri que tinha vocação para fazer aquilo. Comecei-me a dedicar e trabalhei para a Globo, a fazer cenários, e fui descobrindo materiais e outras maneiras. Trabalhei muitas vezes para escolas de samba, para fazer os carros alegóricos e fui vendo que tinha talento para manipular os materiais, mas nunca me considerei um escultor.
NG – Mas gosta de ser escultor?
EM – Se colocares na balança são mais os desagrados que os agrados. Pelo desconforto de trabalhar este tipo de material. É insalubre e muitas vezes não nos permite ir até onde a gente quer, ora por questões orçamentais, ora porque as pessoas não entendem muito bem. Não vejo com muitas vantagens ter este tipo de actividade.
NG – Quando é que se decidiu vir para Figueira de Castelo Rodrigo?
EM – Ainda não me decidi. Aquilo que faltava aqui, em Figueira de Castelo Rodrigo, era um aeroporto, para ficar completo. Ainda não decidi ficar.
NG – Faz a vida entre Brasil e Portugal. Onde gosta de estar?
EM – Gosto mais da Raia, principalmente do sabugal. Aqui é mais por causa do comodismo. Tenho tudo o que preciso aqui à mão. Não me sinto mal em estar em Figueira mas não estou entre o céu e o paraíso. Adapto-me, pois permite estar perto das matérias-primas quase todas. Sinto-me bem, mas para ter condições de criar, não.
NG – Qual foi o trabalho que mais gostou de fazer?
EM – Nenhum. Ainda não tenho a obra-prima. Mas espero lá chegar um dia.
NG – Mas alguns dos que já fez identificam-se consigo?
EM – Nenhum. Há muitos em que as pessoas já vêm com as ideia pré-concebidas. Entro no desafio de dizer que é possível fazer, mas não tem a ver comigo. O maior consumo das obras aqui é da arte sacra. A arte sacra é muito boa e muito bonita quando é em madeira. Em pedra não te permite dar aquela graça, aquele ar angelical na peça. As peças de madeira são de estrema beleza, mais finas, a pedra raramente permite isso.
NG – Chateia-o fazer aquilo que as pessoas lhe pedem?
EM – Acontece em todas as profissões. Eu costumo dizer que quem vai ao médico não escolhe a doença. Aqui acontece. As pessoas perguntam se dá para fazer isto, se dá para fazer aquilo. Depois a questão económica tem um peso muito grande.
NG – Identifica-se com alguma forma de trabalhar a pedra?
EM –Hoje quase que não existe uma técnica para esculpir, a ferramenta leva-te quase lá.
Eu gosto de trabalhar com o Photoshop e muitas vezes eu desenho aí a peça para ver qual é o efeito que ela vai ter, e dá para brincar com isso. Antes tínhamos de enquadrar no local o efeito que a obra ia dar. Hoje não vejo qualquer desafio.
NG – Já houve quem lhe deixasse expressar-se numa obra?
EM – É muito raro. Em trinta anos de carreira, apareceram dois ou três clientes que devem ter dito que a criação era da minha responsabilidade. Mas dá gozo trabalhar assim, por dois motivos, fazer jus a esse voto de confiança e depois tentar superar. Mas é raro. São peças muito caras e normalmente as pessoas vêm já com a ideia pré-concebida e não dá para alterar.
NG – Mas no final não gosta das peças que faz?
EM – Não. Eu acho que quanto menos eu gosto da peça, fico à vontade, porque sei que vai ficar boa para os outros. O meu gosto é estranho.
NG – Já está por cá há 15 anos. Por onde tem a sua obra?
EM – Não tenho um mapa para isso. Tenho um registo mais completo das obras que tenho, por exemplo, em Espanha, França ou Brasil, do que aqui, em Portugal. Algumas pessoas amigas têm o registo das minhas peças e queria até fazer um livro, mas ainda vai demorar algum tempo.
NG – Tem peças por todo o país?
EM – Sim. Muito poucas pelo Algarve, mas tenho por todo o país. Onde tenho mais é certamente no distrito da Guarda e de Castelo Branco, mas em particulares, há mais em Lisboa. Obras públicas é mais por aqui. São milhares de peças.
NG – Tem ideia de quantas já fez?
EM – Passam alguns milhares. Eu tive uns dez anos em que tive um processo criativo muito bom e desenvolvi muito. Desde a pintura até à escultura e fotografia, o que dá muitas obras.
NG – Trabalha num ritmo muito acelerado, como consegue?
EM – Às vezes consigo fazer três ou quatro peças num só dia. Um amigo meu que colaborou comigo durante algum tempo, quando eu começava a ficar aflito dizia para eu continuar a tirar pedra, que havia de sair alguma coisa e no final ficava sempre alguma coisa. É a mesma coisa que dizer que tenho que ir para Lisboa e apanhar a auto-estrada para o Porto. Tu vais chegar a Lisboa de qualquer maneira, só que a volta é maior. Dentro da obra é a mesma coisa. Tu pensas uma coisa, e ela corre de outra maneira, mas que até facilita e que até fica melhor. É assim, há dias em que consegues fazer três, quatro ou cinco peças por dia. Há outras vezes em que tens dias que não sai nada.
NG – Gosta de passar por uma peça e dizer que é sua?
EM – Eu digo mas olho para o lado. As pessoas olham e são simpáticas, dizem que ficou bonito, mas eu sei que não era aquilo que eu queria, pois há factores nas obras públicas que limitam muito. É a questão dos orçamentos e quando estamos limitados a um orçamento é complicado de se fazer.
NG – Quanto é que já valeu uma obra sua?
EM – Bem, houve uma que custou 50 mil euros, feita para a zona do Sabugal.
NG – Há alguma peça que gostasse de fazer para caracterizar a Guarda?
EM – Tenho, tenho o desenho, de uma peça fantástica, que já fiz aí há uns dez anos, mas não sei se tenho condições para executá-la, ou de a colocar na Guarda, mas tenho-a desenhada. Pode ser que seja possível, um dia.
NG – Existem peças, que não as tendo construído, passe por algum sitio e diga, isto ficava bem aqui?
EM – Muitas. Eu sonho acordado e por onde eu passo e digo muitas vezes, para mim, que isto ficava bem aqui ou ali. Um artista que seja artista, tem obrigação de mudar mentalidades e alterar o espaço onde vivem. Todos têm essa obrigação mas o artista mais, e ainda há muito para fazer.
NG – Como muita da sua obra é pública, a verdade é que as pessoas gostam do seu trabalho?
EM – Pois. Toda a gente gosta, todo o mundo aplaude e ninguém diz que não. Eu fico em dúvida. Ou são muito simpáticos ou a minha obra é muito boa.
NG – Gosta desta terra?
EM – Gosto muito. São pessoas espectaculares. Foi preciso me afastar para ver realmente o valor. Estava muito envolvido e não conseguia fazer um exame, mas são realmente pessoas adoráveis. Ainda não consegui criar um perfil para definir esta gente, mas agradeço o apoio e carinho que todos me dão, com um abraço especial ao Manuel Rasteiro, presidente da Junta do Sabugal, José Manuel Campos, da Junta de Foios, e Octávio Vinhas, de Quadrazais.
NG – Não é um homem que se prenda, pois não?
EM – Eu tenho medo de fazer a minha sepultura antes do tempo. Não sou contra quem tenha alguma coisa que o prenda, tem a ver com a minha personalidade, que é complicada. Infelizmente não tenho algo que me prenda. Não digo que seja uma coisa boa.
NG – O seu futuro passa por Figueira, por Portugal?
EM – Vou ser simpático e dizer que não. Isto é uma relação entre Portugal e eu, de amor e ódio.
Por: José Paiva
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Secção: Cultura, Eugénio Macedo, HISTÓRIA DE PORTUGAL, Soito Sabugal
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Museu do Sabugal: Colecção Arqueológica 2008. Mais uma excelente iniciativa da Câmara do Sabugal e da Empresa Municipal Sabugal +.
Fruto da colaboração entre a Câmara local e a Empresa Municipal Sabugal +, data de Março de 2008 e tem textos de André Tomás Santos (Pré-História), Raquel Vilaça (Proto-História), Pedro C. Carvalho (Época Romana), Iñaki Martín Viso (Época Medieval: reino de Leão), Luís Repas (Época Medieval: reino de Portugal), e Miguel Soromenho (Época Moderna). É de Marcos Osório a responsabilidade do catálogo.
Tem o ISBN: 978-989-95684-0-2; a edição é de Pro-Raia (Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro Norte) e do Município do Sabugal. 184 preciosas páginas, terminando com bibliografia complementar e índice dos sítios arqueológicos donde procedem as peças.
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Secção: Cultura, HISTÓRIA DE PORTUGAL, Livros, Soito / Sabugal
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Tirem a venda da Justiça. Mário Crespo
O infinito disparate do tribunal de Loures de tratar da mesma maneira o militar da GNR que tentava deter um grupo de assaltantes e os próprios assaltantes ilustra o maior problema de Portugal nesta fase da sua vida democrática.
Se juízes e procuradores em Loures não conseguem distinguir entre crime e ordem mantendo as suas decisões num limbo palavroso de incoerências politicamente correctas e medos de existir, nada nos defende da desordem. A disléxica significância actual do estatuto de 'arguido' que permite na mesma penada dar rótulos idênticos a criminosos e agentes da ordem pública é um absurdo em qualquer norma civilizada.
Esta justiça, ou ausência dela, faz de Portugal um país perigoso para se viver em 2008. O militar da GNR chamado para restabelecer a ordem e o 'pai' foragido da prisão que levou o filho num assalto não podem ser tratados da mesma maneira por um justiça que meramente cumpre rituais de burocracia. A cegueira da crise na justiça está a originar que a mensagem pública que surge destas decisões agudize a sensação de insegurança e fragilize a capacidade do Estado de manter a ordem pública.
Chegou a altura de retirar a venda da justiça em Portugal para ela ver para onde está a levar o país, aplicada como tem sido num sinistro cocktail de sabores do PREC, heranças do totalitarismo, inseguranças políticas, ambiguidades e ignorâncias cobertas por mantos diáfanos de academia-faz-de-conta.Nesta rapsódia de dissonâncias que é a interpretação apriorística e receosa de normas mal definidas, mantém-se sem conclusão o julgamento da Casa Pia que nestes anos todos perdeu qualquer hipótese de juízo sério. Não se consegue entregar Esmeralda a quem lhe garanta a infância normal a que tem direito porque Esmeralda teve o azar de nascer num país onde o Direito não é normal. Caímos no ridículo internacional com a instrução desastrada e provinciana do caso McCann onde tudo falhou. Da letra da lei, à sua interpretação, à sua aplicação. E agora em Loures diz-se ao país que é a mesma coisa tentar manter a ordem em condições extremas e levar um filho num assalto depois de se ter fugido da prisão. É tudo arguido com a mesma medida de coação.
O que a Judicatura e a Procuradoria de Loures mostraram ao País não foi que a justiça é cega. Foi a cegueira da justiça em Portugal. Disseram que é a mesma coisa ser-se um cidadão militar agente da lei e um foragido apanhado em flagrante, armado com calibres letais e disfarçado com identidades falseadas.
A continuar assim teremos que bramir (BRANDIR) armas em público como os mais fundamentalistas intérpretes da Constituição americana dizem que podem. E temos que ir dormir a condomínios privados porque a cidade e as zonas rurais estão a saque dos grupos que nomadizam armados à espera de uma aberta, e nós teremos que nos defender.
Precisamos de procuradores capazes, juízes justos e de um ministro da Justiça que consiga administrar os meios do Estado. Obviamente não os temos no actual quadro do funcionalismo público. Por favor subcontratem. Estrangeiros mesmo, que os há muito bons, porque a coisa aqui está preta.
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Secção: HISTÓRIA DE PORTUGAL, JUSTIÇA
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
54-Câmara Municipal (Criminal) de Coimbra mantém, impune e descaradamente, Stand/sucateira-ILEGAL aberto ao público sem qualquer licenciamento...

Legenda: Documento falsificado, enviado ao MP de Coimbra para encobrir o licenciamento ilegal da cabovisão por parte da Câmara Municipal (CRIMINAL) de Coimbra.
Onde está escrito PT é, de facto, EDP. As águas pluviais do IC2 vazam directamente para a parede DE UM POSTO DE ELECTRICIDADE DE ALTA TENSÃO PONDO EM PERIGO A SEGURANÇA PÚBLICA.
Onde se diz TV CABO DEVE LER-SE CABOVISÃO.
POR OUTRO LADO, o Ministério Público de COIMBRA ACEITOU ESTE DOCUMENTO FALSIFICADO E AFIRMOU QUE O DENUNCIANTE É QUE NÃO TINHA CREDIBILIDADE...
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Secção: CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA URBANISMO, COIMBRA, ILEGALIDADES
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Cavaco Silva aplica "veto político" à nova lei do divórcio. Muito bem Senhor Presidente.
Cavaco Silva quer alterações à nova lei do divórcio.
O Presidente da República utilizou o chamado "veto político" para devolver à Assembleia da República o diploma que altera o Regime Jurídico do Divórcio. Fica assim sem promulgação de Cavaco Silva a nova lei sobre o divórcio que, desta forma, terá de ser novamente avaliada pelos deputados.
Cavaco Silva não promulgou o diploma que altera o Regime Jurídico do Divórcio que, assim sendo, regressa à Assembleia da República para que seja alvo de uma apreciação por parte dos deputados.
Na mensagem que enviou aos deputados e que justifica a devolução, o chefe do Estado explica que decidiu devolver à Assembleia da República o Decreto nº232/X que aprova o Regime Jurídico do Divórcio, solicitando que o mesmo seja objecto de nova apreciação, já que tem "como altamente aconselhável, a todos os títulos, que sejam levados em linha de conta alguns dos efeitos a que o novo regime jurídico do divórcio pode conduzir, designadamente as suas implicações para uma indesejável desprotecção do cônjuge ou do ex-cônjuge que se encontre numa situação mais fraca – geralmente, a mulher –, bem como, indirectamente, dos filhos menores":
Face a essa situação, Cavaco silva considera que "para não agravar a desprotecção da parte mais fraca, o legislador deveria ponderar em que medida não seria preferível manter-se, ainda que como alternativa residual, o regime do divórcio culposo, a que agora se põe termo de forma absoluta e definitiva".
Considera ainda o Presidente da República que "é no mínimo singular que um cônjuge que viole sistematicamente os deveres conjugais previstos na lei possa de forma unilateral e sem mais obter o divórcio e, sobretudo, possa retirar daí vantagens aos mais diversos níveis, incluindo patrimonial".
Cavaco Silva nos argumentos que apresenta pega mesmo em exemplos para explicar que face à nova lei "doravante, à mulher vítima de maus-tratos, por exemplo, só restará a via de, após o divórcio, intentar uma acção de responsabilidade contra o seu ex-marido, com todos os custos financeiros e até psicológicos daí inerentes".
No extenso documento com doze pontos, Cavaco Silva apresenta como última justificação para a recusa de promulgação da nova lei sobre o divórcio o facto de, no seu entender, ser "extremamente controverso, por aquilo que implica de restrição à autonomia privada e à liberdade contratual, o disposto no artigo 1790º, segundo o qual 'em caso de divórcio nenhum dos cônjuges pode, na partilha, receber mais do que receberia se o casamento tivesse sido celebrado segundo o regime da comunhão de adquiridos'".
Com a devolução do diploma à Assembleia da República esta pode afectuar as alterações que agora são propostas ou pura e simplesmente confirmar o seu voto por maioria absoluta dos deputados em efectividade de funções, caso em que o Presidente da República terá de promulgar o diploma no prazo de oito dias a contar da sua recepção.
RTP.
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Secção: HISTÓRIA DE PORTUGAL, Polémica
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Tenho acompanhado no "PODIUM SCRIPTAE " a luta pela legalidade contra a corrupção do que vergonhosamente se passa na "sucateira/stand" junto à Estação Velha.
Parece-me que os cidadãos, honestos, do nosso Distrito e até do País se sentem cada vez mais revoltados com a corrupção que graça e aumenta no nosso país, receio que como é costume e à "portuguesa", perante a inoperância, assim me parece, dos poderes judiciais, se considere a corrupção um mal imbatível e por isso inevitável e assim normal.
Aqui na minha aldeia a Câmara Municipal de Cantanhede "oferece" um terreno "baldio" de cerca de um hectare a um construtor civil, já fiz queixa no IGAT mas por incrível que pareça esta instituição, que eu julgava ter como função a defesa do património, limitou-se a pedir explicações à Câmara e esta defendeu-se dizendo fundamentalmente que era uma questão de "venire contra factum proprio" se tentassem repor a situação anterior, o IGAT respondeu-me que só os tribunais poderiam tratar da questão e mais nada fizeram, no meu entender de cidadão leigo em questões judiciais deveria ser o próprio IGAT a fazer seguir o processo por serem entendidos nestas matéria, mas não desilusão total quando também mantenho estas instituições a funcionar com os meus imposto e de todos aqueles que os pagam.
Os meus parabéns e um abraço de solidariedade pelo que tem feito magistralmente e com coragem na denuncia da corrupção. Desculpe a extensão da mensagem.
Um abraço
Carlos Rebola
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Secção: ILEGALIDADES
Diário de Coimbra, 15 de Agosto de 2008: Mega operação da PJ permitiu deter sete suspeitos, apreender armas, droga e dinheiro.
Droga. Muita droga, dinheiro e bastantes armas. Uma “receita” apurada na última “incursão” que a PJ fez a bairros problemáticos de Coimbra. Somam-se sete detenções.
Este é o balanço da “Operação Planalto” que começou mal o sol nasceu, na passada quarta-feira, e se prolongou pela noite dentro. Os resultados são considerados positivos, sobretudo porque permitem, de acordo com fonte ligada à investigação, «trazer alguma tranquilidade a uma zona que, nos últimos tempos, tem andado bastante agitada». As detenções efectuadas, bem como as armas apreendidas, são sinal disso mesmo. Mais, a Directoria de Coimbra da PJ está convencida que terá apreendido as armas que foram usadas em recentes tiroteios verificados em zonas consideradas problemáticas da cidade, como o Planalto do Ingote, a Relvinha e a zona da antiga Estaco. «Com esta operação a PJ conseguiu o duplo objectivo de contribuir para a pacificação social destes bairros e para minorar o tráfico de estupefacientes», afirma aquela polícia.As operações desencadeadas quarta-feira mobilizaram praticamente todos os recursos da Directoria de Coimbra, que “requisitou”, ainda, reforços aos departamentos de Aveiro e Leira. Isto porque as buscas desdobraram-se em várias frentes, centrando uma particular atenção no Parque Nómada , situado junto ao Campo do Bolão, e também no Bairro da Rosa, com “desvios” pelo Bairro da Relvinha e Pedrulha, “absorvendo” ainda um acampamento das redondezas, junto à antiga fábrica da Estaco. No total foram, de acordo com fonte da PJ, efectuadas 11 buscas domiciliárias, mas também houve buscas em viaturas e em “campo aberto”, ou seja, em terrenos situados nas imediações das habitações, que têm funcionado como “despensa” dos alegados traficantes, nomeadamente na zona do Bolão, que debaixo da terra guardam droga e armas.A operação permitiu a apreensão de 3.200 doses individuais de cocaína, heroína e haxixe, com a primeira e liderar o “ranking” e a última a fechar. Alguma da droga já estava dividida em panfletos, pronta a ser vendida, enquanto outra ainda estava armazenada, em bruto. Foram ainda apreendidos 22.500 euros em dinheiro e vários objectos relacionados com tráfico de estupefacientes, como balanças de precisão e embalagens para acondicionar a droga.Investigação começouhá vários mesesA investigação começou há largos meses, na sequência de uma alteração verificada no “xadrez” do tráfico nesta zona da cidade, motivado pela detenção de dois dos elementos mais carismáticos do “negócio”. A sua substituição começou a gerar algum conflito entre traficantes, na luta pelo controlo do mercado. Um dado que teve reflexos visíveis e começou a causar manifesta preocupação. Sinal desse mau estar e da luta pela liderança do “negócio” terão sido as várias cenas de tiroteio que se verificaram nos últimos meses nestes bairros. Primeiro aconteceu na Relvinha. Seguiu-se a zona da Estaco, onde uma carrinha ficou “cravejada” de tiros. A terceira situação, mais recente, acabou por assumir uma visibilidade acrescida. Aconteceu dia 3 e o caso foi amplamente noticiado, motivando, de resto, a aceleração de um projecto de segurança previsto para o Planalto do Ingote, que entrou em vigor na semana passada.Situações que deram origem a vários inquéritos e “alimentaram” o trabalho dos investigadores da PJ e cujo desfecho principal (apesar de as investigações continuarem), aconteceu na quarta-feira. Armas terão sido usadas em três tiroteiosDurante as buscas efectuadas nas casas, viaturas e terrenos, a PJ recuperou várias armas, «algumas das quais terão sido usadas nos vários tiroteios» que recentemente assustaram a cidade, afirma fonte daquela política. Os invólucros recolhidos já se encontram no laboratório e falta agora realizar os exames de balística, para confirmar a suspeita.Entre as armas apreendidas encontra-se uma carabina, três espingardas caçadeiras, uma das quais tipo “shotgun”, bem como pistolas de 8mm e 6.35mm e ainda uma de 9mm. Esta última é uma das armas de referência das forças de segurança, que habitualmente a utilizam, sendo considerada uma arma de guerra. Aliás, a PJ presume que terá sido esta a arma usada nos disparos sobre a carrinha, junto à Estaco, uma vez que foram também apreendidos cinco carregadores (cada um com 10 munições), o que dá uma grande margem de tiro a quem a utiliza.As armas de menor porte (9mm, 8mm e 6.35) estavam enterradas nos terrenos limítrofes das casas do Bolão. A juntar às armas de fogo, a PJ apreendeu armas brancas, uma das quais de grandes dimensões, bem como um colete à prova de bala. Para localizar os artigos enterrados (droga e armas), a PJ contou com a colaboração de uma equipa cinotécnica da Brigada Fiscal da GNR. Entre as apreensões está também um multibanco portátil (sem fios), semelhante aos usados nos estabelecimentos comerciais, devidamente autorizado pelo Banco de Portugal, e que permitia resolver a eventual carência de dinheiro “vivo”, recorrendo ao cartão de crédito.
Tribunal manda suspeitos em liberdade.
Foram sete as detenções feitas pela PJ, algumas já com mandados do Ministério Público, outras em flagrante delito, uma vez que as circunstâncias de detenção apontavam para uma relação directa entre os suspeitos e a posse de droga e ou armas.Em causa estão quatro homens e três mulheres, com idades entre os 18 e os 55 anos, alguns dos quais com um histórico e “respeito” no mundo do crime. Com efeito segundo apurámos, um dos detidos tinha fugido há meses do Estabelecimento Prisional de Coimbra, onde cumpria pena por tráfico, roubo e sequestro. O homem, na casa dos 30 anos, refugiou-se durante uns tempos no Norte do país e regressou às origens há algum tempo. Já foi encaminhado de novo para a cadeia. Um segundo detido, com cerca de 40 anos, estava em liberdade condicional há pouco tempo, depois de ter cumprido pena por tráfico de droga. Os suspeitos foram ontem presentes a Tribunal, para primeiro interrogatório, operação acompanhada de perto por muitos familiares , que se mantiveram firmes junto do tribunal.
Ouvidos pelo juiz, seis dos suspeitos (evadido regressou à cadeia) foram devolvidos à liberdade, estando apenas obrigados a apresentar-se diariamente ou duas vezes por semana às autoridades policiais.
Manuela Ventura/ Diário de Coimbra.
Saíram em liberdade???????????????????????????????????????...
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Secção: COIMBRA, ILEGALIDADES
domingo, 10 de agosto de 2008
53- Corrupção, o ladrão faz a ocasião.
Paulo Morais,professor universitário
«A promiscuidade entre poderosos interesses privados e a gestão da coisa pública atingiu entre nós proporções inimagináveis. As consequências estão à vista uma democracia moribunda, um pequeno grupo que enriquece à custa dos bens colectivos e os pobres, esses, cada vez mais pobres. Tudo isto com uma corrupção generalizada como pano de fundo. Como foi possível que a democracia de Abril, fundada sobre os valores da ética republicana, se tenha abastardado a este ponto?
Em primeiro lugar, porque o Estado é hoje um grande cliente, o maior cliente de serviços de toda a ordem, e é responsável pelos maiores investimentos (ou esbanjamentos) - que são realizados habitualmente sem critério, com gastos descontrolados. É um Estado gastador, imenso e fraco, que subordina os seus gastos aos interesses dos mais poderosos interesses instalados.
Por outro lado, e muito mais grave, porque é no aparelho de Estado, através dos seus agentes políticos, que se decide, por despacho, quem enriquece. Pode ser através da atribuição de uma qualquer concessão por cinquenta ou setenta anos. Ou pela via da atribuição do estatuto de PIN (projecto de interesse nacional) a um qualquer projecto, o que permite que um dado promotor imobiliário adquira, por tostões, um terreno a um agricultor e o transforme em empreendimentos de milhões. Ou até pela alteração de um plano director municipal, efectuada a pedido. Ou, por último, através do deferimento ilegal de um empreendimento imobiliário como contrapartida de financiamento partidário.
Exemplos de favorecimento de privados, por despacho, são inúmeros. Alicerçados num edifício legal constituído por muitas leis, deliberada e propositadamente más; com muitas regras, muitas excepções, e que permitem um poder discricionário quase ilimitado. Os agentes políticos, com competência para determinados actos administrativos, no uso desse poder discricionário e na gestão das excepções, tornam-se fiéis àqueles a quem efectivamente devem o lugar a quem os financia. E deixaram, na maior parte dos casos, de ser leais aos que os elegeram.
É aqui que se encontra a verdadeira origem da corrupção, nas arbitrariedades que a legislação comporta. É pois a este nível que urge prioritariamente intervir, revogando muita da legislação, analisando a restante e identificando os alçapões por onde entra a corrupção.
Cabe ao Parlamento esta tarefa hercúlea de apagar da legislação a "ocasião que faz o ladrão". Tanto mais que, na maior parte das vezes, é o próprio ladrão que faz a ocasião, face à grande capacidade de influenciar a legislação de que alguns grupos dispõem. Mas a tarefa revela-se na prática impossível, uma vez que a maioria dos actuais deputados se funcionalizou e, subordinada ao aparelho partidário, dependente de quem financia a sua vida partidária e até privada, está afinal refém dos interesses mais obscuros.
Se actuar ao nível das causas da corrupção parece difícil, o mesmo se passa ao nível das consequências, já que os tribunais, ineficazes, não respondem aos anseios das populações, à sede de justiça que tarda em chegar.
E, assim, a corrupção campeia, através de todo um conjunto de favores e jeitinhos, favorecimento de privados muitas das vezes de forma ilegal, que se podem resumir à utilização de lugares públicos para transferência ilegítima de bens públicos para a posse de privados. Situações que estão tipificadas na lei como corrupção, é verdade; mas também como abuso de poder, prevaricação, peculato, tráfico de influências, abuso de confiança. O cidadão fica pois perplexo ao constatar que o Ministério Público não actua quase nunca em qualquer destas vertentes. Até se compreende as dificuldades de intervenção ao nível do crime de corrupção; este é de difícil prova e de difícil acusação, uma vez que tem de se identificar o corrupto, o corruptor, a decisão tomada em nome da Administração, o benefício que daí decorre e o nexo de causalidade entre todos estes factores. Mas então e quanto aos outros crimes? Por que não há acusações e condenações?
Sem alterações ao quadro legislativo e com um sistema judicial inamovível, os cidadãos, indefesos, sabem que a justiça não funciona. Sentem, até, que não há justiça. E, sem esta, não há Estado de Direito. Se o Estado não é de Direito, não é democrático. E portanto é a própria democracia que definha e morre. »
Ó Professor acusações? O MP a Câmara Municipal e as Estradas de Portugal de Coimbra aceitaram documentos falsos e fizeram um exercício de encobrimento da falsificação do licenciamento da cabovisão, em Coimbra, dentro de um stand/sucateira ilegal que não tem qualquer licenciamento.
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Secção: COIMBRA, ILEGALIDADES
52- Câmara Municipal de Coimbra Urbanismo: JN - CSI: crimes sem investigação
É no secretismo dos gabinetes que germinam os maiores crimes de urbanismo e ordenamento do território. Mas não há nada de subterrâneo nas suas consequências: as provas do crime estão bem visíveis. Os edifícios estão aí, entram-nos pelos olhos dentro. Por que não actua, então, a justiça? Na origem das mais escandalosas fortunas, a grande corrupção urbanística parece definitivamente instalada e é a que tem maior expressão económica. Resume-se, no essencial, a dois tipos de crimes: por um lado, alterações "a pedido" aos instrumentos de planeamento, em função do interesse de quem controla os partidos e, por essa via, o aparelho de estado; e, por outro lado bem mais grotesco, as autorizações e licenciamentos de operações urbanísticas que não cumprem o planeamento, portanto ilegais.
Uma pronta intervenção da justiça seria o mínimo exigível, já que as ilegalidades são bem patentes nos inúmeros mamarrachos que desfeiam o país de norte a sul. Perante as inúmeras edificações ilegais, cuja detecção é trivial, até para o mais míope, o Ministério Público deveria tão-só apurar se existe documento oficial que aprove tanto betão. Se não, a ilegalidade é óbvia. Se, pelo contrário, houver alguma licença, identifique-se quem a emitiu, ao abrigo de que competências. Assim identificado o responsável, o presumível culpado deveria ser acusado, no mínimo, por crimes de prevaricação e abuso de poder, face aos danos colossais que infligiu ao interesse público.
Mas a justiça não deve, nem pode, ficar-se por aqui. Os tribunais administrativos devem ser mais eficazes, nos termos da legislação já em vigor, ordenando a demolição dos edifícios comprovadamente ilegais. Só assim a sociedade recupera o que lhe foi saqueado, a capacidade construtiva excessiva e ilegal, com todas as consequências sociais, económicas, ambientais e cívicas daí decorrentes. E, mesmo em construções em curso, estas devem suspender-se de imediato com o início dos processos judiciais conexos; o insólito corolário deste procedimento seria ter os próprios prevaricadores a exigir celeridade da justiça!!!
Só ordenando demolições e embargando construções presumivelmente ilegais se dissuadem os especuladores. Se temerem perder no futuro o que hoje roubam vergonhosamente, os patos-bravos da construção talvez se contenham na sua ganância. Como valorizam mais o lucro do que a própria liberdade, a justiça deveria prioritariamente atacá-los onde verdadeiramente lhes dói: nas suas fortunas.
Jornal de Notícias
Autor: Paulo Morais
Data: Quarta-Feira, 06 de Agosto de 2008
Pág.: 10
Temática: Opinião
Acusações Professor?
_O MP a Câmara Municipal e as Estradas de Portugal de Coimbra aceitaram documentos falsos e fizeram um exercício de encobrimento da falsificação do licenciamento da cabovisão, em Coimbra, dentro de um stand/sucateira ilegal que não tem qualquer licenciamento.
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Secção: COIMBRA, ILEGALIDADES
quinta-feira, 31 de julho de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
Faço minhas estas sábias palavras...
- De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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Constato que a lei não é de aplicação geral e abstracta! Existe apenas e só para quando e se o sistema quiser perseguir alguém...
A Discricionariedade está transformada em livre arbítrio.
José Manuel de Aguiar.
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Lapa
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Secção: Cultura, curiosidades
domingo, 27 de julho de 2008
50- COMENTÁRIO RECEBIDO A TÍTULO DA SAGA DO STAND/SUCATEIRA ILEGAL QUE A CÂMARA INSISTE EM MANTER ILEGALMENTE EM FUNCIONAMENTO AO ARREPIO DA LEI!
Caro amigo:
Tudo o que descreve dá que pensar...
Fiz uma visita a esse Stand que é como muito bem diz uma SUCATEIRA.
Surpreendeu-me mais ainda ter visto lá depositados, como quem exibe troféus, veículos velhos da Câmara Municipal de Coimbra, jipes das Estradas de Portugal e até da GNR.
Estranhei bastante pois, segundo li nos despachos que aqui publicou, a Câmara Municipal de Coimbra e as Estradas de Portugal, estão altamente comprometidas com essa aberração que está, de facto, no meio da Rua. E ainda por cima têm relações comerciais com a sucateira?
Tudo o que aqui li, comparado com o que pude ver no local é demonstrativo de uma enorme contenção e objectividade do seu discurso.
Para já não falar no criminoso licenciamento da Cabovisão dentro da sucateira, com uma vedação dentro de outra?
O que é que o MP anda a fazer?
Bem-haja!
Por ora, por razões de segurança e da minha integridade física prefiro ficar no anonimato.
Tenha cuidado que é gente muito perigosa e sem escrúpulos.
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Secção: CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA URBANISMO, COIMBRA, ILEGALIDADES
sábado, 19 de julho de 2008
48- CMC Departamento de Fiscalização e URBANISMO PACTUAM DOLOSAMENTE COM PREVARICADORES. EMAIL RECEBIDO DAS ESTRADAS DE PORTUGAL.
Estrada Livre - Processo 7062-REC-2008
Exmo. "Senhor(a).
Relativamente à sua Sugestão / Reclamação, que agradecemos, temos a informar que após vistoria por um técnico da Direcção de Estradas de Coimbra, no passado dia 26-06-2008 ao IC2, nas traseiras do edifício localizado no nº 126 da Estrada de Eiras, concluiu-se que os órgãos de drenagem aí existentes, constituídos por meias canas que desaguam na boca de um aqueduto, encontram-se em bom estado de conservação e funcionamento.
Confirma-se também que a continuação da linha de água, a jusante da boca do aqueduto, que se encontra emanilhada, está fora da zona da estrada.
Conclui-se, portanto, que o afunilamento e emanilhamento referidos na reclamação enviada, não são da responsabilidade da EP – Estradas de Portugal, SA, uma vez que não estão em área da sua jurisdição.
Melhores Cumprimentos
Estrada Livre"
CAMARA MUNICIPAL DE COIMBRA CONTINUA A PREVARICAR, ENCOBRE ESTE PERIGO E PERMITE QUE SUCATEIRAS ESTEJAM ABERTAS ILEGALMENTE AO PÚBLICO, NO CORAÇÃO DA CIDADE DE COIMBRA!
FOTOGRAFIA LEGENDA: Manilhamento/afunilamento e desvio ilegal de águas pluviais provenientes do IC2 e muro da sucateira construido em ZONA DE ESTRADA MUNICIPAL SECUNDÁRIA E DE CHEIA.
CONCLUSÃO: EU É QUE NÃO TENHO CREDIBILIDADE?
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Secção: CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA URBANISMO, COIMBRA, ILEGALIDADES
sexta-feira, 18 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
47- Câmara Municipal de Coimbra, não obstante o teor do despacho que antecede, permite que a sucateira/stand permaneça ilegalmente aberta ao público?

(Continuação)
5- Além de tudo o conceito de sucata está verificado, pois estão expostos inúmeros veículos vendidos pelo Estado e adquiridos como sucata.
Aqui a Câmara Municipal, também continua a proteger os infractores.
As sucatas têm que estar a duzentos metros da via pública e não visíveis.
6- Mais, a sucateira também está implantada em zona de estrada municipal a poente. O despacho também é gravemente omisso sobre este facto.
Será só incompetência...?????????????????????????????????
(continua)
É "estranho" -só estranho????...-que as autoridades nunca tenham tido a curiosidade de pedir esclarecimentos aos reclamantes e que tenham emitido despachos que são autênticos exercícios de contradição e de omissão dos factos fundamentadamente participados, que saltam à vista e decorrem da Lei em prol do interesse público e que fornecem inequivocamente instrumentos para que a CMC possa pôr termo aquela aberração de imediato.
E os consumidores deste estabelecimento ilegal aberto ao público, não merecem protecção...?
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Secção: CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA URBANISMO, COIMBRA, ILEGALIDADES
TANTO MAR
do qual este poema começou a nascer.
Atlântico até onde chega o olhar.
E o resto é lava
e flores.
Não há palavra
com tanto mar
como a palavra Açores.
Manuel Alegre
Pico 27.07.2006






